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Peredo dos Castelhanos e a amêndoa

Uma aldeia do Douro Superior com oito séculos de história escrita, e uma das primeiras a plantar amendoeiras na região.

Letreiro com o nome Peredo dos Castelhanos sobre um muro de xisto, com uma bicicleta encostada

Peredo dos Castelhanos

A aldeia fica no extremo nascente do concelho de Torre de Moncorvo, num planalto que desce em encostas muito inclinadas até ao rio Douro. Na margem oposta fica Vila Nova de Foz Côa, quase em frente à foz do rio Côa. Está a 23 km da sede do concelho, pela estrada da Açoreira, e conta hoje cerca de uma centena de habitantes.

Desde 2013 faz parte da União das Freguesias de Urros e Peredo dos Castelhanos.

De onde vem o nome

«Peredo» virá do latim e designaria um lugar com muitas pereiras.

«Dos Castelhanos» está ligado ao repovoamento da aldeia. Depois de um período em que ficou abandonada, por volta de 1530 instalaram-se aqui oito famílias vindas de Espanha, que tomaram as terras de aforamento.

No brasão da antiga freguesia figuram um castelo, que remete para esse nome, e uma amendoeira florida.

Curiosidades

  • Na Igreja Matriz de São Julião foram descobertas pinturas murais do século XVI, escondidas atrás dos retábulos e debaixo da cal. Num dos fragmentos vê-se uma Natividade; no outro, São Pedro sentado num trono, com Santo André ao lado.
  • Do miradouro do Alto da Barca vê-se o rio Douro e a foz do Côa.
  • A festa de Nossa Senhora da Glória faz-se a 15 de agosto. Na noite de 24 de dezembro, os rapazes da aldeia acendem a fogueira do galo.
  • Os doces da terra incluem as amêndoas cobertas e os almendrados.

Cronologia

  1. 1258O Peredo aparece nas Inquirições mandadas fazer por D. Afonso III.
  2. Século XIVOs moradores são chamados a trabalhar na muralha do castelo de Moncorvo.
  3. 1370D. Fernando integra os julgados de Urros e do Peredo no concelho de Moncorvo.
  4. Cerca de 1530A aldeia volta a ser habitada por famílias vindas de Espanha.
  5. 1563Começa a construção da Igreja Matriz de São Julião.
  6. 1640Nasce no Peredo o padre Pascoal Ferreira, autor de vários livros sobre a terra.
  7. 1861Um decreto de 30 de julho cria a escola primária.
  8. 2013A freguesia junta-se à de Urros.

Fontes: Câmara Municipal de Torre de Moncorvo; e-cultura (Centro Nacional de Cultura); Direção Regional de Cultura do Norte; Wikipédia, artigo «Peredo dos Castelhanos».

Uma terra de amendoeiras

A amendoeira entrou na agricultura do Douro Superior na primeira metade do século XVIII. Peredo dos Castelhanos foi uma das primeiras freguesias a cultivá-la, com Castelo Melhor, Urros, Ligares e Poiares.

Hoje o amendoal e o olival são as culturas principais do concelho. Em 2017, Torre de Moncorvo tinha perto de 3 940 hectares de amendoal, quase todos de sequeiro.

A amêndoa no Douro Superior

  1. 1721Um documento sobre Torre de Moncorvo descreve uma terra com muitos pomares e boa fruta.
  2. Primeira metade do século XVIIIA amendoeira entra na agricultura da região. Peredo dos Castelhanos está entre as primeiras freguesias a plantá-la.
  3. 1790Uma descrição da época situa a amêndoa entre Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, com destaque para Urros.
  4. Décadas de 1860 e 1870A filoxera destrói as vinhas do Douro. Nos terrenos mais pobres, muitas vinhas mortas dão lugar a amendoais.
  5. Segunda metade do século XIXCom as estradas e o caminho de ferro, o amendoal espalha-se pelas quintas do Douro Superior.
  6. 1908Primeiro registo escrito das cobrideiras de Moncorvo, as mulheres que cobrem a amêndoa com calda de açúcar.
  7. 1996A Amêndoa Douro passa a Denominação de Origem Protegida. O concelho de Torre de Moncorvo está dentro da área.
  8. 2018As Amêndoas Cobertas de Moncorvo recebem a Indicação Geográfica Protegida.

O que estas culturas dão à terra

  • Pouca água. Os amendoais tradicionais são de sequeiro: vivem da chuva, em encostas onde outras culturas não se aguentam.
  • Terra segura. Os socalcos e os muros de pedra seguram a terra nas encostas e travam a erosão. Manter as árvores é também manter os muros.
  • Abelhas. A maior parte das variedades tradicionais de amendoeira precisa de polinização cruzada, que é feita sobretudo pelas abelhas. Amendoal e apicultura andam juntos.
  • Doçaria. A amêndoa coberta de Moncorvo, feita em tachos de cobre e muito ligada à Páscoa, foi eleita uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal.
  • Visitantes. A floração, entre fevereiro e março, traz gente à região. Torre de Moncorvo celebra-a todos os anos em março, nas Festividades das Amendoeiras em Flor.
  • Património à volta. Na margem oposta do Douro fica o Vale do Côa, com arte rupestre classificada pela UNESCO em 1998. Parte do concelho está no Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial desde 2001.

A nossa amêndoa ainda não está certificada como DOP ou IGP. A aldeia fica dentro da área geográfica da Amêndoa Douro DOP e da Amêndoa de Trás-os-Montes IGP; a certificação é um passo que estamos a estudar.

Fontes: Lois Ladra, A cultura da amêndoa no Douro Superior (Fundação Museu do Douro, 2013); DGADR, fichas da Amêndoa Douro DOP, da Amêndoa de Trás-os-Montes IGP e das Amêndoas Cobertas de Moncorvo; CIM Terras de Trás-os-Montes, Estudo da Amêndoa; UNESCO, Alto Douro Vinhateiro.

As encostas sobre o rio

Fotografias nossas, tiradas nas parcelas da família ao longo do ano.

Encosta em socalcos com olival e vinha sobre o rio Douro, num dia de nuvens no outono
Socalcos e olival sobre o Douro, no outono
Caminho de terra entre oliveiras, com sacos de azeitona colhida e uma carrinha carregada ao fundo
Sacos de azeitona à espera da carrinha
Vista alta do rio Douro, com olival em socalcos e uma casa de telhado vermelho na margem
Olival e laranjal junto ao rio
Figueira e laranjeira num quintal com lajes de xisto, com o rio Douro e os montes ao fundo
Figueira e laranjeira à beira-rio
Sol de fim de tarde sobre o rio Douro, com amendoeiras na encosta e uma casa branca na margem oposta
Fim de tarde no amendoal
Fim de tarde nublado sobre o Douro, com amendoeiras sem folha em primeiro plano e olival em socalcos
Amendoeiras sem folha e olival em socalcos
Amendoeiras podadas e sem folha à beira do Douro, com céu azul e os montes do outro lado do rio
Amendoeiras podadas, no inverno
Letreiro com o nome Peredo dos Castelhanos sobre um muro de xisto, com uma bicicleta encostada
A entrada da aldeia
Vista alta do rio Douro, com olival em socalcos e uma casa de telhado vermelho na margem

Quem somos

A Casa Agrícola Andrade é uma empresa familiar de Peredo dos Castelhanos. Reúne as terras e as plantações de uma família com várias gerações ligadas à agricultura nesta aldeia.

Os mais velhos acompanham o trabalho no campo e conhecem estas culturas há décadas. A geração seguinte trata da gestão, da parte técnica e da parte administrativa.

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